domingo, 6 de agosto de 2017

Sir Rutherford Alcock II


The Bookplate of Sir Rutherford Alcock, K.C.B., D.C.L., F.R.G.S. (1809-1897)

In previous articles dedicated to the bookplate of Doctor Sir Rutherford Alcock the insignia from the ribbon around the Crest were wrongly identified[1].

The bookplate shows his Crest encircled by a ribbon with his motto, from which pend the insignia of three orders, initially thought to be those of the Orders of the Bath, Isabel, a Católica (Spain) and the Tower and of the Sword (Portugal) (F 274).

But, recent research led to a different conclusion.

Indeed, Dr. Rutherford Alcock was awarded the following decorations for services rendered during his time of service in Portugal, and in the British Legion, during the First Carlist War, in Spain:
·        Knight of the Military Order of the Tower and Sword, by a Decree of Queen D. Maria II, of May 30th 1835 «…because since the battle of Ponte Ferreira, in most of the actions he took part, he behaved with gallantry healing the wounded under fire and having been wounded in action at Lordelo, on the 25th July 1833».
·        Cross of 1st class of the Order of St. Ferdinando (Spain) date unknown, but surely between, 1839-42.
·         Knight of the Order of Isabella, the Catholic (Spain), by a Decree of the Regent General Espartero, of November, 19th 1842 and promoted a Knight Commander, circa 1843.
We also know that in November 6th, 1840, a Mixed Commission was appointed by the British and Portuguese Governments «…for the purpose of examining and deciding upon the claims of British subjects, who served in the Portuguese Army and Navy during the late war for the liberation of Portugal», Colonel J. Barreiros[2] and Rutherford Alcock being the Commissioners[3]

And the award of the Order of Christ, Knight Commander, by the Decree of August 2nd, 1844, must have been a consequence of the work of that Commission.

Strangely enough, Rutherford Alcock when later applying for permission to accept and wear his foreign decorations, did not include the Order of St. Ferdinand, nor the Order of Christ, and maybe that is the reason why they are never mentioned in his biographical notices.

Indeed, from the London Gazette (July 14th, 1857) we learn that Queen Victoria in July 14th, 1857, granted Rutherford Alcock her royal license and permission to accept and wear the Order of the Tower and Sword, the Supernumerary Cross of the Royal and Distinguished Order of Charles III and the Cross of Commander of the Royal Order of Isabel, the Catholic, the latter conferred for his services as Deputy Inspector-General of Hospitals of the late British Auxiliary Legion.

For his services in the Empire of Japan, first as Consul-General and from November 1859, also as HM’s Envoy Extraordinary and Minister Plenipotentiary[4] (1858-64), he was made a Knight Companion of the Order of the Bath in 1860, promoted a Knight Commander, in 1862.


So, the insignia pending from the crest in his bookplate must be:
  • the Cross of the Royal and Distinguished Order of Charles III;
  •  the Cross of Commander of the Royal Order of Isabel, the Catholic; and the
  • the Military Order of the Tower and Sword, all awarded before 1857. 
And the absence of the insignia of the Order of the Bath allows us to date the bookplate from after 1843-1857 and before 1860-1862.

The bookplate is particularly interesting since there are few British members of Portuguese Orders, namely the order of the Tower and Sword (f. 1808 and reformed 1832) who proudly bore the order's insignia in their armorial bearings[5]Apparently, Doctor Alcock used another bookplate with the same Crest but with his initials, without orders pending, which therefore should have been made before he received the decorations above mentioned (F 273).

Special thanks are due to my dear friend Paulo Estrela, a keen researcher and author on Phaleristics, for letting me know the documents referring the award of the Portuguese and Spanish Orders to Doctor Rutherford Alcock.
Caparica, August 8th, 2017
José Vicente de Bragança, AFP, OMRS



[1] Cf. José Vicente de Bragança, Insígnias de Ordens portuguesas na Heráldica Inglesa -Ex-Líbris, in «O Timbre», nº2, 2014, Lisboa, Academia Lusitana de Heráldica, pp. 33-34 and http://bookplate-jvarnoso.blogspot.pt/2006/11/sir-rutherford-alcocks-bookplate.html (reviewed July 14th, 2008).
[2] Joaquim António Velez Barreiros (1802-1865), Baron and Viscount of Nossa Sra. da Luz, later a General of the Portuguese Army, a highly decorated veteran of the Campaigns of the Civil War, and of the First Carlist War, as a member of the Auxiliary Division sent to Spain to fight against the Carlists.
[3] London Gazette, nº 19911, November, 6th, 1840.
[4] London Gazette, nº 22335, December 9th, 1859.
[5] José Vicente de Bragança, Insígnias de Ordens portuguesas na Heráldica Inglesa -Ex-Líbris, in «O Timbre», # 1, (2013), pp. 73-79 and #2, pp. 27-36, Lisboa, Academia Lusitana de Heráldica, 2013-2014.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

General Luís do Rego (1777-1840)



General Luís do Rego Barreto (Viana do Castelo28 de outubro de 1777 — 7 de setembro de 1840), 1.º visconde de Geraz do Lima 


Era Tenente de Infantaria no Regimento de Infantaria nº 9, aquando da I Invasão Francesa e após a dissolução do Exército pelo Marechal Junot, não querendo servir o invasor retirou-se para sua cas no Minho. O seu espírito patriótico levou-o a ser o primeiro a encabeçar a sublevação popular contra as tropas de ocupação francesas, em Viana do Castelo, em 19 de Junho de 1808, à semelhança do ocorrido no Porto, Bragança e Vila Real e, a seguir noutras cidades do Norte e do Centro e no Algarve. Às sublevações seguiu-se a criação de Juntas Provisionais de Governo e à aclamação do Príncipe-Regente Dom João.
Em 1808-1809 organizou o Batalhão de Caçadores nº 4, em Viseu, que fardou à sua custa e comandou até ao assalto a Ciudad Rodrigo (19 de Janeiro de 1812), tendo participado, entre outras acções, na batalha do Buçaco. Em Janeiro de 1812 assume o comando do Regimento de Infantaria nº 15, reorganizado em Vila Viçosa, que se distinguiu nas batalhas de Badajoz, de Salamanca (1812), Vitória, San Sebastian e Nive (em 1813). No assalto a Badajoz em 6 de Abril de 1812, o RI 15 foi a primeira força e entrar na cidade sob o comando do Coronel Luís do Rego Barreto, a quem o marechal Beresford chamou «o Bravo» e no assalto a San Sebastian cobriu-se de glória, apeando-se do cavalo, pegando na bandeira do Regimento e incitando os seus soldados a irromperam, sob fogo intenso, pela brecha nas defesas.
Em 1817 encontrava-se no Brasil onde comandou a Divisão que dirigindo-se a Pernambuco sufocou a rebelião republicana que aí tinha rebentado sendo nomeado Governador e Capitão-General de 1 de julho de 1817 a 5 de outubro de 1821. Em 1822, já General e de regresso ao reino foi nomeado Governador das Armas do Minho e no ano seguinte derrota, em Amarante, o General Silveira que havia liderado um levantamento absolutista.
«Com a Vilafrancada, que reinstitui o regime absolutista em Portugal, foi destituído e deportado para a Figueira da Foz, tendo sido reformado no ano seguinte. Reintegrado no exército durante a regência da infanta D. Isabel Maria, foi promovido a tenente-general em 1827. Preso durante o reinado de D. Miguel, conseguiu evadir-se para Espanha, regressando após a convenção de Évora-Monte. Nomeado vogal do Supremo Conselho de Justiça Militar em 1834, foi nomeado novamente governador das armas do Minho durante o Setembrismo, que o nomeou senador por Viana do Castelo, durante a curta vigência da Constituição de 1838»[1].

O título de Visconde de Geraz de Lima foi-lhe concedido em 30 de Maio de 1835, no governo presidido pelo Marechal Saldanha.

Teve as seguintes condecorações:

Comendador da Ordem da Torre e Espada (1812)[2]

Comendador da Ordem Militar de Cristo[3]

Cruz de Condecoração da Guerra Peninsular, de Ouro, 6 campanhas (1820)[4]

Medalha de Comando da G.P. ‘7 acções’ (1820)[5]
[Buçaco / Badajoz / Salamanca / Vitória / S. Sebastian / Nivelle / Nive]

Army Gold Cross ‘7’[6]
[Buçaco / Ciudad Rodrigo / Badajoz / Salamanca / Vitória / S. Sebastian / Nive]

Segundo o Coronel Ferreira de Lima (apud Paulo Estrela, 2009) este distinto oficial teria recebido uma raríssima distinção em 1808 – Medalha Individual de Gratidão – concedida pela Junta Provisional de Viana do Castelo, em nome do Príncipe-Regente D. João, pelos importantes serviços que havia feito no dia 19 de Junho, e que viria a ser confirmada pela Junta Provisional do Governo Supremo do Reino em 7 de Julho de 1808.

Para Paulo Estrela, que se debruçou sobre este retrato, então na posse de José Maria Almarjão, descendente do General, pelas condecorações ostentadas o referido retrato deve ser anterior a 1820, já que não representa nenhuma das suas condecorações oficiais portuguesas da Guerra Peninsular[7]

E, ainda na esteira de Ferreira Lima, Paulo Estrela defende que a Cruz de ouro pendente do pescoço por uma corrente de igual metal deve representar a citada medalha de gratidão.

Assim, na pintura e para além desta, o General Rego Barreto ostenta a insígnia de pescoço e a placa da Ordem da Torre e Espada, a placa de Comendador da Ordem Militar de Cristo e uma pequena insígnia atípica da mesma ordem, e a prestigiada Army Gold Cross ‘7 acções’ – cruz e três passadeiras, concedida pelo Rei Jorge IV, do Reino Unido.

Bibliografia:
Elogio historico de Luiz do Rego Barreto, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1822
Flavio José Gomes Cabral. “Vozes públicas”: as ruas e os embates políticos em Pernambuco na crise do antigo regime português (1820-1821), in «Saeculum» - Revista de História (13); Universidade Estadual de Paraíba, João Pessoa, Jul. Dez. 2005, pp. 63-77.
Henrique de Campos Ferreira Lima. Medalhas individuais de gratidão portuguesas, Famalicão, Minerva, 1939
Luís do Rêgo Barreto. Memória justificativa sobre a conducta do Marechal de Campo Luiz do Rego Barreto, durante o tempo em que foi governador de Pernambuco e presidente da Junta Constitucional do governo da mesma província, Lisboa, Typ. Marques Leão, 1822
Paulo Jorge Estrela. Ordens e condecorações portuguesas 1793-1824, Lisboa, Tribuna da História, 2009



[2] Cf. Paulo Estrela. Ordens e condecorações portuguesas 1793-1824, Lisboa, Tribuna da História, 2009.
[3] Em 31.10.1815 foi-lhe concedida uma promessa de comenda e em 17.12.1815 uma tença de seiscentos mil reis no Cofre das Comendas vagas (Gazeta de Lisboa, nº 98, 25.4.1816). A mercê viria a concretizar-se em 2.09.1819 com a com o Alvará da Comenda de S. Salvador de Unhão, da Ordem Militar de Cristo (ANTT - Registo Geral de Mercês, D. João VI, liv.13, fl.358).
[4] Cf. Paulo Estrela, ibidem.
[5] Idem.
[6] Idem.
[7] Idem.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

General Pedro Massano de Amorim

General Pedro Massano de Amorim 

(Fronteira, 14.01.1862 - Nova Goa, 2.06.1929)

Oficial de Artilharia, Governador e Administrador Colonial, Governador de Gaza (1896), Comandante Militar de Tete (1897), Comandante da Coluna Militar do Norte – Campanha do Bailundo (1902), Governador do Distrito de Moçambique (1906), Campanha de Pacificação de Angoche (1908-12), Comandante da Força Expedicionária a Moçambique - 1914, Governador de Angola (1916-18), Governador-geral de Moçambique (1918-19), Governador dos territórios de Manica e Sofala, da Companhia de Moçambique, Governador-geral de Moçambique (1923), Governador-Geral da Índia (1926).



Condecorações (n/exaustiva):

  1. Cavaleiro, Comendador e Grande-Oficial, com Palma, da Ordem Militar da Torre e Espada (1921)
  2. Medalha de Valor Militar, Ouro (1912)
  3. Oficial e Grã-Cruz da Ordem Militar de Avis (1919)
  4. Oficial da Ordem da Sant'iago da Espada
  5. Grã-Cruz da Ordem do Império Colonial, tit. póstumo (1932) cf. http://www.ordens.presidencia.pt/?idc=153&list=1
  6. Medalha da Rainha D. Amélia - «Bailundo», «Zambézia» e «Angoche»
  7. Medalha Comemorativa de Campanhas - «Cuanza-Sul 1917-18»
  8. Medalha da Vitória
  9. Comendador da Ordem do Império Britânico


Bibliog.:
Major de Infantaria Lourenço Ortigão Borges. A Guerra não Declarada - As campanhas militares portuguesas nos Teatros Africanos, 1914-1915 (Lição inaugural. Abertura Solene do Ano Letivo AM, 2014/2015) in http://www.emgfa.pt/documents/yncxk8j0qh5d.pdf
Marco Arrifes, A Primeira Grande Guerra na África Portuguesa. Angola e Moçambique (1914-1918), Lisboa,  Edições Cosmos. Instituto de Defesa Nacional, 2004
Marquez de Lavradio. Pedro Massano de Amorim, Col. «Pelo Império», Lisboa AGC, 1941

Pedro Massano de Amorim. A Occupação do districto de Moçambique, Bol. Da Soc. De Geografia de Lisboa, nº 5, 29ª s., Lisboa, Typ. Universal, 1911

quarta-feira, 25 de maio de 2016

«Pro Phalaris» # 12, (Julho-Dez. 2015)

Encontra-se nos prelos o Boletim «Pro Phalaris», nº 12, 2015, prevendo-se que em breve será distribuído pelos Académicos e posto à venda ao público na Livraria Férin, em Lisboa.