sábado, 21 de fevereiro de 2009

Homenagem ao Almirante Gago Coutinho - II

Aproveitando a oportunidade das várias cerimónias oficiais de homenagem ao Almirante Gago Coutinho (sem esquecer o grande Piloto Aviador Naval Sacadura Cabral), publicamos alguns diplomas legais referentes a algumas dessas homenagens. Sendo este um blog cuja temática principal é a Falerística, dar-se-á sempre prioridade a curiosidades relacionadas com Ordens Honoríficas e outras condecorações.

Também a Grã-Cruz da Ordem de Santiago da Espada foi-lhes concedida:
O Decreto de concessão, de 27 de Abril de 1922, dizia:
Considerando que o Capitão de Mar-e-Guerra Carlos Viegas Gago Coutinho e o Capitão-Tenente Artur de Sacadura Freire Cabral, revelaram quer na preparação, quer na realização da viagem aérea Lisboa-Brasil, qualidades excepcionais de saber que produziram a admiração do mundo culto, pondo em prática processos seus que resolvem os mais importantes problemas de navegação aérea;
Considerando que da viagem realizada a ciência tirará ensinamentos que a habilitem à resolução de outros problemas que interessam à navegação:Hei por bem, sob proposta do Ministro da Marinha, aprovada pelo Conselho da Ordem Militar de Santiago da Espada, decretar que o Capitão de Mar-e-Guerra Carlos Viegas Gago Coutinho e o Capitão-Tenente Artur de Sacadura Freire Cabral, sejam condecorados com o grau de Grã-Cruz da referida Ordem.
(Diário de Governo nº 99, II Série, de 1922)


A Sociedade Propaganda de Portugal, uma associação criada em 1906, e que tinha o intuito de ajudar a desenvolver as atividades morais,intelectuais e materiais, sem vinculação religiosa ou partidária, também se associou às homenagens nacionais e internacionais e concedeu-lhes (com sancionamento do Ministério do Interior) o seu distintivo, isto é, um Colar.
O Decreto de autorização, de 23 de Julho de 1922, dizia:
Tendo a Sociedade Propaganda de Portugal, em sua Sessão de 27 de Abril último, apreciado o famoso raid Lisboa-Rio de Janeiro e resolvido propor ao Governo a concessão do seu distintivo aos aviadores Carlos Viegas Gago Coutinho e Artur de Sacadura Freire Cabral, em reconhecimento e consideração pelo heróico feito levado a cabo, com feliz êxito, por esses intrépidos Oficiais da Marinha de Guerra Portuguesa, pelo Ministro do Interior e em harmonia com o Decreto nº 6.439, de 3 de Março de 1920, conferir aos mencionados Oficiais Carlos Viegas Gago Coutinho e Artur de Sacadura Freire Cabral o distintivo com que a Sociedade Propaganda de Portugal galardoa as pessoas que pelos seus serviços mereçam o seu carinhoso afecto e reconhecimento.
(Diário de Governo nº 174, II Série, de 1922)

Também a Cruz Vermelha Portuguesa se associou a esta série de concessões.
Na Portaria do Ministério da Marinha de de 6 de Outubro de 1922, constava singelamente:
Contra-Almirante Carlos Viegas Gago Coutinho e Capitão-de-Fragata Artur de Sacadura Freire Cabral – condecorados com a Placa de Honra da Sociedade Portuguesa da Cruz Vermelha, nos termos do Decreto nº 4.551, de 22 de Junho de 1918.
(Diário de Governo nº 234, II Série, de 1922)

Em 1926, Gago Coutinho foi nomeado Director Honorário da Aeronáutica Naval, o que era uma grande homenagem dado que este Oficial da Armada não era Piloto Aviador. Assim, foi publicado o Decreto de de 6 de Maio de 1926:
Convindo dar ao Contra-Almirante Carlos Viegas Gago Coutinho, por parte da Marinha Portuguesa, um testemunho da alta consideração que merece por haver contribuído, em grande parte, para a realização do raid Lisboa-Rio de Janeiro, levado a efeito e 1922, tendo, desde então, o seu nome ficado vinculado, de uma forma indelével, não só à Aviação Naval Portuguesa, que muito honrou, ao mesmo tempo que, no estrangeiro, levantava mais alto o nome de Portugal, mas também, pode dizer-se, à Aviação mundial, por virtude dos seus proficientes estudos e trabalhos sobre Navegação Aérea: hei por bem, sob proposta do Ministro da Marinha, decretar que o supracitado Contra-Almirante Carlos Viegas Gago Coutinho seja nomeado Director Honorário da Aeronáutica Naval, sendo-lhe concedido o uso do Distintivo de Piloto Aviador, encimado por duas palmas cruzadas.
(Diário de Governo nº 109, II Série, de 1926)