sábado, 7 de março de 2009

Tenente-Coronel Sir Robert John HARVEY, Cav. TE, Com. A, Med. Com. GP (10), Cruz Cond. GP (5)



Major-General Sir Robert John HARVEY, CB, KTS, FRS, FAS (1785-1860)
Mousehold House, Norwich



Era filho de John Harvey, Esq, de Thorpe Lodge, Norfolk e de Frances Kerrinson, filha de Sir Roger Kerrinson, de Brooke House. Em 1815 casou com a sua parente Charlotte Mary, filha de Robert Harvey, Esq., de Watton. Foi um dos Oficiais Ingleses que se distinguiu ao serviço do Exército Português durante as Campanhas da Guerra Peninsular.
Em Março de 1809 integrou a força expedicionária que foi enviada para Portugal sob o comando do Major-General Lord Hill, sendo Capitão do 53º Regimento de Infantaria. Um ano depois foi promovido a Major e nomeado Adjunto do Quartel-Mestre-General do Exército Português agregado ao quartel-general do Comandante-em-Chefe do Exército, o Marechal William Carr Beresford.
Em 1811, o Marechal Beresford destacou o Major Harvey para o Quartel-General do Marechal Lord Wellington - Comandante-em-Chefe do Exército Aliado, como oficial de ligação com as tropas Portuguesas no terreno e nomeou-o Chefe-do-Estado-Maior do Exército na sua ausência, cargos que exerceu até ao final da Guerra em 1814[1].
Destacou-se particularmente na organização de 9 corpos de guerrilha[2] e das Ordenanças e na montagem de um serviço de informações devido às suas notáveis capacidades linguísticas e ao perfeito domínio do Francês e do Alemão.
Participou, nomeadamente, nas seguintes acções ou batalhas: Porto, Buçaco, Salamanca, Vitoria, Pirinéus, Nive, Nivelle, Orthez e Toulouse e nos cercos de Ciudad Rodrigo, Burgos, Badajoz e San Sebastian. Após a captura de Badajoz, em Abril de 1812, Harvey foi promovido a Tenente-Coronel do Exército Português e, após as batalhas de Salamanca e de Vitoria, sob recomendação do marechal Lord Wellington, foi também promovido a Tenente-Coronel no Exército Britânico,
Pelos seus brilhantes e destacados serviços na Guerra Peninsular, o Príncipe-Regente D. João conferiu-lhe em 17 de Dezembro de 1815, o grau de cavaleiro da Ordem da Torre e Espada[3].
Em 1820, foram-lhe também concedidas por D. João VI, a hoje rara, Medalha de Comando das Campanhas da Guerra Peninsular (10), [Buçaco / Ciudad Rodrigo / Badajoz / Salamanca / Vitoria / Pirinéus / Nivelle / Nive / Orthez / Toulouse] e, a Cruz de Condecoração da Guerra Peninsular para Oficiais, de Ouro (5 campanhas) (O.D. 31 / 1820)[4].
Em data que se ignora, mas certamente posterior a 1826, o Major-General Sir Robert John Harvey foi também agraciado com o grau de comendador da Ordem Militar de Avis.
Jorge - Príncipe-Regente da Grã-Bretanha, não só lhe concedeu autorização para usar a Torre e Espada, por Alvará, de Maio de 1816, como o nobilitou, concedendo-lhe o título de cavaleiro em 6 de Fevereiro de 1817[5], a que acresceu a concessão da Ordem do Banho, no grau de Companheiro, em 1831.
Promovido a Coronel em Julho de 1830, a Major-General, em Novembro de 1841, e a Tenente-General em Novembro de 1851.

Existe um retrato - em gravura aberta a buril por Charles King, segundo um pintura de T. Stewardson Esqr, datada de 1821) - no qual Sir Robert John Harvey exibe orgulhosamente as suas condecorações Portuguesas – a insígnia de Cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, a Medalha de Comando das Campanhas da Guerra Peninsular (10) e a Cruz de Condecoração da Guerra Peninsular para Oficiais, de Ouro, bem como a Britânica Army Gold Medal (Orthez). A insígnia da Ordem de Avis não figura neste retrato o que prova que à data ainda não a tinha recebido.

Sir Robert John Harvey usou também dois ex-líbris heráldicos nos quais ostentou as suas condecorações, mormente a ordem da Torre e Espada.

O primeiro (v. ilust.) [6] com armas de Harvey, de Thorpe, com um escudete sobreposto com as armas de Harvey, com vários acrescentamentos honrosos: chefe, de vermelho, carregado da Army Gold Medal (Orthez) entre dois crescentes, de prata; e, um cantão, de arminho, carregado da insígnia de cavaleiro da Ordem da Torre e Espada[7]. Pendente do escudo, também a insígnia da Ordem da Torre e Espada o que ocorre raramente em armas Britânicas, demonstrando o alto apreço em que Sir Robert John Harvey tinha esta distinção.
Sir Robert J. Harvey possuiu outro ex-líbris heráldico de confecção mais modesta, em stencil, em que já figura a insígnia de comendador da Ordem Militar de Avis pendente do escudo[8].
As condecorações do Major-General Sir Robert J. Harvey dispersaram-se, vendidas em leilões, nomeadamente da Christie, em 24.04.1992 e da Spink, em 25.09.2001, segundo amável informação de Paulo Estrela.

Agradeço ao Paulo Estrela o valioso apoio na identificação das condecorações da Guerra Peninsular que figuram no retrato de Sir Robert J. Harvey.
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[1] Para detalhes da sua carreira militar cf. o Obituário publicado no «The Gentleman's Magazine», London, 1860, pp. 191-193
[2] H G Hart, Hart's Annual Army List, Militia List, and Imperial Yeomanry List, J. Murray, 1845, p. 26
[3] Paulo Estrela, Ordens e Condecorações Portuguesas 1793-1824, Lisboa, Tribuna da História, 2009, p. 232
[4] ibidem, pp. 239 e 242
[5] Francis Townsend, Calendar of Knights: Containing Lists of Knights Bachelors, British Knights of Foreign Orders ..., W. Pickering, 1828, pp. 30 and 92
[6] cf. Frank's Collection Catalogue, # 14013, vol. 2, p. 29
[7] John Burke & John Bernard Burke, The Knightage of Great Britain and Ireland, London, 1841, pp. 169-170 e Burke's Genealogical and Heraldic History of the Landed Gentry, Vol 1, London, Henry Colburn, 1847, p. 544
[8] John Blatchly, Elegant Economy: the stencilled ex-libris, in «The Bookplate Journal», Vol. 4, #1, March 2006, p.37, referindo a Ordem de Avis, see, Hart’s, op. e loc, cit., p. 471

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