quarta-feira, 6 de maio de 2009

Homenagem a Sacadura Cabral - II

Ainda na senda de fazermos ecoar no tempo algumas das muitas e merecidas homenagens com que Gago Coutinho e Sacadura Cabral foram premiados após o seu épico voo, iremos aqui reproduzir dois desses diplomas legais.
Um destes decretos é referente à promoção por distinção destes dois Oficiais de Marinha aos respectivos postos imediatos enquanto o outro é destinado ao ilustre geógrafo e futuro almirante.

Lei nº 1.257, de 27 de Abril de 1922 (Diário de Governo nº 82, I Série, de 1922)
Em nome da Nação, o Congresso da República decreta e eu promulgo, a lei seguinte:
Artigo 1º - São promovidos por distinção ao posto imediato, a contar de 30 de Março do corrente ano, o Capitão de Mar-e-Guerra Carlos Viegas Gago Coutinho, e o Capitão-Tenente Artur de Sacadura Freire Cabral, ficando permanentemente supranumerários aos respectivos Quadros.
Artigo 2º - Fica revogada a legislação em contrário.
O Ministro da Marinha a faça imprimir, publicar e correr.



Lei nº 1.390, de 28 de Novembro de 1922 (Diário de Governo nº 246, I Série, de 1922)
Em nome da Nação, o Congresso da República decreta e eu promulgo, a lei seguinte:
Artigo 1º - São dispensadas ao Contra-almirante Carlos Viegas Gago Coutinho todas as provas e exames estabelecidos na legislação em vigor, necessários à obtenção do Diploma de Observador Aeronáutico.
Artigo 2º - Fica revogada a legislação em contrário.
O Ministro da Marinha a faça imprimir, publicar e correr.


Aproveitando a ocasião vamos dar a conhecer um episódio menos conhecido da vida de Sacadura Cabral, ocorrido quando jovem Oficial de Marinha em início de carreira e quando se encontrava a prestar serviço na Estação Naval de Moçambique.
Esta situação, ocorrida em 1902, é bem demonstrativa de alguns dos seus dotes de carácter, como seja o seu altruísmo. Pouco depois, e como recompensa à sua acção, foi condecorado com a Medalha de prata de prémio e distinção ao Mérito, Filantropia e Generosidade, vulgo Medalha Rainha D. Maria II.

Decreto 3 Outubro 1902 (Diário de Governo nº 227, de 1902)
- Artur de Sacadura Freire Cabral, Guarda-Marinha da Armada
Pelo acto de abnegação e coragem que praticou no dia 16 de Julho último, com risco da própria vida, atirando-se ao rio Maputo, no intuito de salvar o 1º Grumete Manuel da Luz Mattos, que ali caíra.
[O Diploma de concessão desta condecoração está patente ao público numa vitrina existente no Museu do Ar, em Alverca]


Recordamos que esta medalha monárquica foi a única condecoração que tendo no seu anverso a efígie de uma rainha – D. Maria II – continuou a ser permitida e a ser concedida pelo regime republicano, tendo havido somente a “actualização” das cores da sua fita de suspensão para as novas cores nacionais.

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