segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Karel van IJsselveere - um raro caso de exautoração na Faleristica Portuguesa

A História da Falerística portuguesa (e de qualquer outra nação) não vive só de grandes e heróicos feitos praticados por nacionais e estrangeiros. Ao longo da História existem muitos e curiosos episódios que ilustram isto mesmo, e hoje iremos abordar um destes.


A propósito do actual Estado da Nação ser aquele que, em geral, todos temos a triste noção de ser - não está nada bem… - vamos recordar uma conhecida situação ocorrida em outro período de forte instabilidade sócio-económica que, habitualmente, desperta o que de pior existe no génio humano…



O contexto é a conhecida história da burla de Alves dos Reis e as suas famosas Notas de 500, de 1925, com a efígie do Vasco da Gama. Muitos são os Sites onde os detalhes desta enorme (e muito bem feita) burla são descritos, incluindo dados biográficos do seu protagonista, Alves dos Reis, e como tal não iremos repeti-los.



Acontece, no entanto, que a revelação do esquema financeiro e a sua forte repercussão pública, vai originar um muito raro acontecimento processual, que vai atingir um seu cúmplice estrangeiro: o súbdito holandês Karel Marang van IJsselveere.


Este holandês era um importante Financeiro e Negociante da praça banqueira de Haia, que serviu de intermediário com a Casa impressora britânica fornecedora da Casa da Moeda portuguesa: Waterlow & Sons Limited. Ao longo dos anos este magnata holandês foi ganhando protagonismo na sua relação com a sociedade portuguesa, conseguindo prestígio e a tão necessária confiança, e por isso mesmo, foi sendo condecorado pela Presidência da República e pela Cruz Vermelha Portuguesa (CVP).

Iremos de seguir mencionar as várias condecorações e respectivas publicações oficiais, não obstante o curioso da situação ser o que irá ocorrer já no ano de 1926...

Assim, Karel Marang van IJsselveere (oficialmente referenciado nas concessões como van Ysselveere) vai receber:

- Cruz Vermelha de Dedicação
(Despacho de 22 de Março de 1917 – D.G. 72, 2ª Série, 1917)
- Ordem Militar de Cristo, grau de Comendador
(Decreto de 23 de Dezembro de 1919 – D.G. 302, 2ª Série, 1919)
- Cruz Vermelha de Benemerência
(Despacho de 23 de Maio de 1922 – D.G. 121, 2ª Série, 1922)

- Ordem Militar de Santiago da Espada, grau de Cavaleiro
(Decreto de 12 de Março de 1923 – D.G. 89, 2ª Série, 1923)
- Placa de Honra da Cruz Vermelha Portuguesa
(Despachos de 30 de Março e 11 de Junho de 1925 – D.G. 77 e 137, 2ª Série, 1925)


A título de curiosidade refira-se que:

A concessão de 1917 ainda ocorreu com a denominação de Cruz Vermelha de 2ª classe, já que só em 1918 a mesma mudou para a citada Cruz Vermelha de Dedicação;

A concessão de 1922 aconteceu em simultâneo com a atribuição da Placa de Honra da CVP ao Prins Hendrik der Nederlanden, o que também demonstra o prestígio do senhor;




Quando da concessão de 1925, também a sua esposa Madame H. J. Marang van Isselveere-Bernoski, foi agraciada com a Cruz Vermelha de Mérito da CVP.


Em 1926, com a revelação pública da burla, irão ser publicados 3 diferentes decretos que, na prática irão exautorar este súbdito holandês de todas as suas condecorações, situação extremamente rara na história da Falerística nacional, e que iremos transcrever. Chama-se a atenção para o curioso facto de entre a publicação do primeiro decreto e o último, ter acontecido um "putsch" (movimento revolucionário do 28 de Maio de 1926) que mudou completamente o regime político em Portugal, mas onde o bom-censo continuou a imperar e pelo menos em alguns campos, houve continuidade na aplicação da lei.


No entanto, talvez este caso pudesse servir de exemplo para outras situações mais recentemente ocorridas, em que alguns cidadãos, igualmente condecorados, foram condenados por crimes que lesaram o Estado, e no entanto, que se saiba, nunca foram exautorados das suas mercês…

Decreto de 5 de Abril de 1926 (D.G. 82, 2ª Série, 1926)

Tendo o Conselho da Ordem Militar do Santiago da Espada, em sua sessão de 22 de Fevereiro último, re­solvido que fosse irradiado de dignitário da referida Ordem o Cavaleiro Karel Marang van Isselveere, cujo grau lhe havia sido conferido por Decreto de 12 de Março de 1923: hei por bem, usando da faculdade que me confere o nº 3º do artigo 47º da Constituição Po­lítica da República Portuguesa, e de harmonia com o preceito estabelecido no artigo 5º, § 4º do Regulamento das Ordens Militares Portuguesas, aplicar ao menciona­do indivíduo a pena de exclusão de grau de Cavaleiro da referida Ordem de Santiago da Espada. O Presidente do Ministério e o Ministro do Interior assim o tenha entendido e faça executar. paços do Governo da República, 5 de Abril de 1926. - Bernardino Machado. - António Maria da Silva.


Decreto de 5 de Abril de 1926 (D.G. 82, 2ª Série, 1926)

Tendo o Conselho da Ordem Militar de Cristo, em sua sessão de 18 de Março próximo passado, resolvido que fosse irradiado de dignatário da referida Ordem o Co­mendador Karel Marang van Isselveere, cujo grau lhe havia sido conferido por Decreto de 23 de Dezembro de 1919: hei por bem, usando da faculdade que me con­fere o nº 3º do artigo 47º da Constituição Política da República Portuguesa, e de harmonia com o disposto no artigo 5º, § 4º do Regulamento das Ordens Militares Portuguesas, decretar que ao mencionado indivíduo seja aplicada a pena de exclusão do grau de Comendador da referida Ordem Militar de Cristo. O Presidente do Ministério e Ministro do Interior assim o tenha entendido e faça executar. Paços do Governo da República, 5 de Abril de 1926. - Bernardino Machado. - António Maria da Silva.


Pena é, que a Base de Dados (e o respectivo Livro Anuário Ordens Honoríficas Portuguesas Cidadãos Estrangeiros 1910-2007) disponível na Chancelaria das Ordens Honoríficas Portuguesas continue a apresentar este súbdito holandês como detentor do grau de Comendador da Ordem de Cristo. Possivelmente, somente lançaram a informação referente à Ordem de Santiago da Espada…



Decreto de 17 de Julho de 1926 (D.G. 171, 2ª Série, 1926)
O Governo da República Portuguesa, sob proposta do Ministro do Interior, atendendo ao que dispõe o ar­tigo 35º do Decreto nº 11.015, de 11 de Agosto de 1925, cuja aplicação se justifica pela publicação dos decretos que excluem das Ordens Militares de Santiago e de Cristo o súbdito holandês Karel Marang van Ysselveere, há por bem decretar que o mencionado in­divíduo perdeu o direito ao uso das insígnias da Cruz de Dedicação, Cruz de Benemerência e a Placa de Honra da Cruz Vermelha Portuguesa, que lhe haviam sido con­feridas e publicadas, respectivamente, no Diário do Governo, 2ª Série, de 27 de Março de 1917, 27 de Maio de 1922 e 13 de Junho de 1925. O Minisro do Interior assim o tenha entendido e faça publicar. Paços do Governo da República, 17 de Julho de 1926. - António Óscar de Fragoso Carmona. - Jósé Ribeiro Castanho.


Para finalizar refira-se que também nos Países-Baixos este senhor foi condenado criminalmente, tendo cumprido 11 meses de prisão efectiva. Depois, foi morar para França, onde solicitou a nacionalidade francesa, e acabou por morrer em Cannes.

Tentámos saber (via o nosso amigo Erik Muller, a quem agradecemos alguns dos detalhes biográficos apresentados) se o referido holandês teria sido condecorado com alguma Ordem Real Neerlandesa e depois exautorado das mesmas, mas não conseguimos sabê-lo. No entanto, foi-nos dito que de acordo com a legislação holandesa, o direito às condecorações recebidas é somente revogado após o cumprimento de pelo menos um ano de prisão, pelo que esta diferença de um mês poderá ter sido bastante para continuar a ter direito às mesmas…

Resta-nos a satisfação de saber que então, não obstante a época ser bem conturbada, o Estado assumiu o seu "engano" anterior e fez justiça para com quem tinha ajudado a lesar a Fazenda Pública.



domingo, 17 de janeiro de 2010

Medalha Naval Comemorativa do 5º Centenário da morte Infante D. Henrique

A Falerística portuguesa, tal como as demais, apresenta várias condecorações que, genericamente, chamamos de medalhas comemorativas. Muitas delas destinam-se a premiar, e perpetuar, a presença do agraciado em determinada campanha ou acção específica. No entanto, por vezes, são criadas medalhas comemorativas destinadas a serem concedidas a "todos" aqueles que participaram em determinado evento de notório carácter nacional e/ou de homenagem a determinada figura da nossa História.


É precisamente um destes casos que iremos abordar, não só pela particularidade do seu já citado objetivo, mas igualmente porque fazendo a confrontação entre o decretado e a realidade do ocorrido, veremos algumas curiosas diferenças.



MEDALHA NAVAL COMEMORATIVA DO 5º CENTENÁRIO DA MORTE DO INFANTE D. HENRIQUE


De igual modo, a lista de agraciados com esta medalha (vulgo medal roll) servirá para entender o prestígio de tal medalha, quer seja pela figura histórica homenageada, quer seja pela dimensão nacional e internacional que as comemorações ganharam, a verdade é que todas as mais importantes figuras do Estado e da Sociedade a receberam. Longe do que habitualmente (mas erradamente) se pensa, isto é, que as medalhas são somente estabelecidas para serem usadas pelos militares nas suas fardas, esta medalha irá ser, também, orgulhosamente ostentada por uma série de estadistas, académicos, diplomatas e por muitos estrangeiros.


Iremos então resumir o estabelecido pelo diploma legal da sua criação e regulamentação:


Pelo Decreto 43.085, de 22 de Julho de 1960, foi criada uma condecoração naval para comemorar o 5º centenário da morte do Infante D. Henrique (1960).


Era destinada aos militares e civis, nacionais ou estrangeiros, que tivessem contribuído de maneira destacada nas comemorações nacionais do aniversário da morte do Infante.


A Medalha era circular, havendo duas classes: Ouro (1.000 exemplares) e Prata (2.000 exemplares); a concessão era acompanhada do respectivo diploma numerado, respectivamente de 1 a 1.000 e de 1 a 2.000.


Anverso: ao centro de um circulo interior, o brasão de armas do Infante D. Henrique ladeado de 2 cruzes, tudo encimado pelas datas "1460" e 1960". No círculo exterior, no topo, numa legenda circular "TALANT DE BIEN FAIRE";

Reverso: ao centro de um circulo interior, a figura de uma Caravela Portuguesa em pleno mar; no circulo exterior e após uma Cruz de Cristo, a legenda "QVINTO CENTENÁRIO DA MORTE DO INFANTE D. HENRIQUE".


Fita de suspensão multicolor com fivela de igual metal à medalha. As cores são: 9 faixas verticais, sendo, das margens para o centro, 2 vermelhas de 7mm, 2 amarelo-ouro de 3mm, 2 azul-marinho de 2,5mm, 2 brancas de 2mm e uma, central, verde de 1mm.




A Medalha era usada no lado esquerdo do peito.


Acontece que, ao contrário do estipulado pelo decreto, os números de concessões não foram, ao que parece, respeitados já que não foram concedidas tantas medalhas como as permitidas, quer sejam do grau ouro ou prata.


As concessões aconteceram entre os anos de 1960 e 1963, e os nomes dos agraciados (incluindo instituições nacionais e estrangeiras, que o decreto não previa) foram sempre publicados na gazeta oficial da Marinha de Guerra Portuguesa, a “Ordem à Armada”.


A lista de agraciados é bem curiosa, pois além de nos dar o nome de todos (ou quase todos) os Oficiais da Armada à data (Activo, Reserva e Reforma), desde dos Almirantes aos Cadetes da Escola Naval, passando pelas várias especialidades, ainda nos dá a lista de todos Oficiais Generais do Exército e de muitos e muitos outros Oficiais Superiores, Capitães e Subalternos do Exército e Força Aérea, incluindo Pára-Quedistas, passando por muitos daqueles militares que se começavam a notabilizar na Guerra do Ultramar.

Mas é a nível da estrutura do Estado que a lista se apresenta mais interessante. Além de nos dar a lista de governantes e suas funções (Ministros, Secretários de Estado, Governadores da Províncias ultramarinas, etc.) ainda nos informa sobre Diplomatas, Eclesiásticos e outras “forças vivas” da Sociedade. E como a medalha foi concedida durante alguns anos, iremos assistir à sua concessão a várias figuras que iam tomando conta de determinadas pastas governamentais, como é o caso dos Ministros da Guerra e o Ministro dos Negócios Estrangeiros.

A nível dos Estrangeiros premiados, além dos muitos diplomatas e Oficiais de marinhas estrangeiras (Adidos Navais, Chefes de Missão, etc…), salienta-se o facto do rei da Tailândia ter sido igualmente agraciado com o grau ouro.


Para acabar e se ficar com uma ideia do atrás referido, iremos apresentar uma lista resumida com alguns dos casos mais curiosos referidos, todos do grau Ouro, incluindo no final alguns exemplos de Instituições agraciadas. A ordem é aquela da publicação oficial das concessões, não se tentando respeitar nenhuma hierarquização.


Ministro da Presidência, Dr. Pedro Teotónio Pereira


Ministro da Defesa Nacional, General Júlio Carlos Alves Dias Botelho Moniz


Ministro do Interior, Coronel do CEM Arnaldo Schulz


Ministro da Justiça, Prof. Doutor João de Matos Antu­nes Varela


Ministro das Finanças, Prof. Doutor António Manuel Pinto Barbosa


Ministro do Exército, Coronel do CEM Afonso Ma­galhães de Almeida Fernandes


Ministro dos Negócios Estrangeiros, Dr. Marcelo Gon­çalves Nuno Duarte Matias


Ministro das Obras Públicas, Engenheiro Eduardo de Arantes e Oliveira


Ministro do Ultramar, Contra-Almirante Vasco Lopes Alves


Ministro da Educação Nacional, Prof. Engenheiro Fran­cisco de Paula Leite Pinto


Ministro da Economia, Prof. Engenheiro José Nascimento Ferreira Dias Jr.


Ministro das Comunicações, Engenheiro Carlos Gomes da Silva Ribeiro


Ministro das Corporações e Previdência Social, Dr. Hen­rique Veiga de Macedo


Ministro da Saúde e Assistência, Dr. Henrique de Mi­randa Vasconcelos Martins de Carvalho


Secretário de Estado da Agricultura, Engenheiro Agró­nomo Luís Quartim Graça

Secretário de Estado do Comércio, Dr. José Gonçalo da Cunha Sottomayor Correia de Oliveira


Subsecretário de Estado da Aeronáutica, Tenente-Coronel do CEM Kaulza de Arriaga


Subsecretário de Estado do Orçamento, Dr. José Júlio Pizarro Beleza


Subsecretário de Estado do Tesouro, Dr. Francisco João da Costa Farelo


Subsecretário de Estado do Exército, Tenente-Coronel do CEM Francisco da Costa Gomes


Subsecretário de Estado das Obras Públicas, Engenheiro Alberto Saraiva e Sousa


Subsecretário de Estado da Administração Ultramarina, Dr. Adriano José Alves Moreira


Subsecretário de Estado do Fomento Ultramarino, Engenheiro Carlos Cruz Abecassis


Subsecretário de Estado da Educação Nacional, Dr. Bal­tasar Leite Rebelo de Sousa


Subsecretário de Estado do Comércio, Dr. João Augusto Dias Rosas


Subsecretário de Estado da Indústria, Engenheiro Ro­gério Vargas Moniz


Sua Eminência o Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Ma­nuel Gonçalves Cerejeira


Sua Excelência Reverendíssima o Arcebispo de Évora, D. Manuel Trindade Salgueiro


Sua Excelência Reverendíssima o Bispo do Algarve, D. Francisco Rendeiro



A Sua Majestade o rei da Tailândia, Bhumibol Adulyadej


Professor Doutor José Caeiro da Mata


Engenheiro Manuel Duarte Moreira de Sá e Melo

Engenheiro João Paulo Nazaré de Oliveira

Dr. Idalino Ferreira da Costa Brochado

Dr. Diogo de Castelbranco de Paiva Faria de Leite Brandão

Dr. José de Sousa Nunes Ferreira

Dr. Carlos Romero Ivo de Carvalho

Dr. Bernardo Viana Mendes de Almeida (Conde de Caria)

Dr. António Zanoleti Ramada Curto

Dr. César Moreira Baptista Dr. António de Freitas Pimentel

Dr. Teotónio Machado Pires

Engenheiro José Jacinto Vasconcelos Raposo

Dr. Manuel Espírito Santo Silva

Engenheiro Henrique Gomes da Silva

Engenheiro Manuel Rafael Amaro da Costa

Arquitecto Cristino da Silva

Escultor Leopoldo de Almeida

Dr. Agnelo Orneias do Rego

Dr. Manuel Linhares de Andrade

Dr. Francisco Alberto Cutileiro

Dr. Maurício Carlos Paiva de Oliveira

Dr. Luís José de Oliveira Nunes

Dr. Júlio Damião Caetano de Melo


Sua Excelência Reverendíssima o Bispo de Tiava, D. José Pedro da Silva


Sua Excelência Reverendíssima o Bispo de Leiria, D. João Pereira Venâncio


Governador do Estado Português da Índia, General Manuel António Vassalo e Silva


Governador-Geral de Moçambique, Capitão-de-fragata Pedro Correia de Barros


Governador-Geral de Angola, Dr. Álvaro Rodrigues da Silva Tavares


Governador de S. Tomé e Príncipe, Dr. Manuel Marques Abrantes do Amaral


Governador da Guiné, Capitão-de-fragata António Augusto Peixoto Correia


Governador de Cabo Verde, Tenente-Coronel do CEM Silvino Silvério Marques


Governador de Macau, Tenente-Coronel do CEM Jaime Silvério Marques


Governador de Timor, Major de Engenharia Filipe José Freire Temudo Barata



Dr. José Vanzeller Pereira Palha


Dr. Manuel Ferrajota Rocheta

José Augusto do Amaral Frazão de Vasconcelos

Dr. Aureliano dos Anjos Felismino

Presidente da República Portuguesa, Contra-Almirante Américo Deus Rodrigues Thomaz



Ministro do Exército, General Mário José Pereira da Silva

Subsecretário de Estado do Exército, Tenente-Coronel Vítor Novais Gonçalves

Ministro dos Negócios Estrangeiros, Dr. Alberto Marciano Gorjão Franco Nogueira

Ministro da Marinha do Brasil, Almirante de Esquadra Jorge do Paço Matoso Maia

Ministro da Marinha de Espanha, Almirante Don Fi­lipe Abarzuza y Oliva

Secretário de Estado da Marinha Argentina, Contra-Almirante Don Gaston C. Clement

Ministro da Marinha do México, Almirante Don Ma­nuel Vermeño Araico



Distrito IV dos United States Power Squadrons (USA)


Amicale Internationale des Capitaines au Long-Cours Cap Horniers (França)

Real Gabinete Português de Leitura (Brasil)

Real e Benemérita Sociedade Portuguesa de Benefi­cência (Brasil)



quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Exposição na Venaria Reale, de Turim: «Cavalieri. Dai Templari a Napoleone»




Exposição no Museu Venaria Reale, de Turim

«Cavalieri. Dai Templari a Napoleone - Storie di crociati, soldati, cortigiani»

de 28 Novembro 2009 - 11 Abril 2010


Comissários: Alessandro Barbero e Andrea Merlotti



«Essere cavaliere: cavaliere del Tempio, di Malta, dell'Annunziata, della Legion d'onore, di Vittorio Veneto o del Lavoro. Cosa accomuna, sul filo del tempo, queste realtà a prima vista così diverse? La nostra civiltà si porta dietro fin dal Medioevo cristiano l'idea che l'onore, o il merito, di un uomo possano essere esaltati e ricompensati con il diritto di portare una croce e di appartenere ad un ordine di cavalieri.
La mostra Cavalieri. Dai Templari a Napoleone. Storie di crociati, soldati, cortigiani, curata dal Consorzio di Valorizzazione Culturale La Venaria Reale e ospitata alla Reggia dal 28 novembre 2009 all’11 aprile 2010, racconta la storia di come gli ordini cavallereschi medievali, che riunivano combattenti sotto le insegne di Cristo, abbiano prima lasciato il posto a quelli monarchici del Rinascimento e dell'Antico regime (dalla Giarrettiera al Toson d’Oro alla sabauda Annunziata), e poi alle moderne e democratiche decorazioni al merito: attraverso questa speciale prospettiva sono rappresentati e rivivono secoli di storia europea, con le loro dinamiche politiche e sociali e vicende avventurose di uomini.
Circa 120 le opere (statue, dipinti, abiti, armature, gioielli, insegne, manoscritti) sono state raccolte alla Reggia da collezioni e musei italiani e stranieri per descrivere il percorso secondo tre grandi filoni: dall’epoca delle Crociate e dei Templari con gli ordini definibili come “monastico-cavallereschi”, a quella degli “ordini monarchici e militari”, fino al periodo napoleonico con il quale gli ordini cavallereschi superarono l’Antico regime trasformandosi in “decorazioni” con l’inizio dell’Ottocento. Oggi, tranne la Svizzera, tutti gli Stati d’Europa hanno propri ordini con simboli che richiamano ancora quelli degli ordini istituiti nel Tre-Quattrocento.
Tra le affascinanti attrazioni presenti in mostra, è senz’altro da citare la misteriosa “testa di Templecombe”, una tavola medievale datata col carbonio 14 al 1280 circa, poco prima del processo che segnò la tragica fine dell'Ordine. Murata e ricoperta di intonaco, fu ritrovata durante la seconda guerra mondiale in seguito all’esplosione di una bomba tedesca nell'omonimo villaggio inglese, già sede di una precettoria templare. Molte sono le leggende che ruotano attorno a quest’opera: alcuni sostengono che rappresenti il volto di Cristo della Sindone; altri ci vedono semplicemente la testa di San Giovanni Battista: in ogni caso la sua storia romanzesca fa nascere il sospetto che la “testa di Templecombe” abbia invece qualcosa a che fare con l'idolo a forma di testa umana (il Baphomet) che i Templari erano accusati di adorare in segreto.
Al di là dei simboli e delle rappresentazioni, la mostra offre la possibilità di ammirare autentici capolavori, fra cui il Ritratto equestre di Giovan Carlo Doria, cavaliere di Santiago del Rubens, il Ritratto di cavaliere di Malta di Tiziano, il Ritratto di cavaliere Mauriziano del Carracci, il Ritratto di cavaliere di Fra’ Galgario, il Ritratto di San Giovanni Battista come cavaliere di Malta di Mattia Preti, il Ritratto della contessa de Chinchon di Goya. Tra i manoscritti si segnalano una rara copia della Regola dei Templari risalente al XIII secolo e gli Statuti dell’Ordine della Giarrettiera donati dalla regina Maria d’Inghilterra (la celebre Bloody Mary) al duca Emanuele Filiberto di Savoia.
La mostra presenta anche sfarzosi abiti e preziosi gioielli: fra i primi sono particolarmente rilevanti i manti di cavaliere dell’Ordine del Toson d’Oro e dell’Ordine della Corona Ferrea, provenienti dalla Schatzkammer del Kunsthistorisches Museum di Vienna; fra i gioielli meritano una menzione un rarissimo collare settecentesco dell’Ordine dell’Annunziata e uno splendido collare dell’Ordine dell’Elefante concesso alla Venaria dalla Regina di Danimarca. Il pubblico è accompagnato nella visita dall’ambientazione musicale appositamente commissionata a Nicola Campogrande: la partitura, scandita in quattro movimenti (“Luci del Medioevo”, “Con occhi rinascimentali”, “Gli abbagli del Barocco” e “Immagini di Napoleone”), “crea l’atmosfera” per rivivere miti e leggende che dal Medioevo si associano alla storia dei Cavalieri e dei Templari.
In occasione della mostra inaugurano anche gli 800 metri quadri delle Sale delle Arti nei Piani Alti della Reggia: un nuovo importante spazio restaurato che si aggiunge alla Venaria nei pressi di quello che era il Belvedere realizzato da Amedeo di Castellamonte. Davvero speciale è da qui la vista all’infinito dei Giardini, così come la percezione dell’imponenza degli spazi dell’attigua Reggia di Diana, dove era presente il seicentesco Teatro delle Commedie.
Spot radiofonico mostra "Cavalieri. Dai Templari a Napoleone" (formato mp3 - Mb 1)
Filmato "I Cavalieri alla Venaria Reale" ».

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Edito da Electa: € 30,00(prezzo esclusivo per bookshop Reggia e Mostra)