terça-feira, 15 de novembro de 2011

Condecorações Espanholas


NOTICIA DE LAS ÓRDENES DE CABALLERÍA DE ESPAÑA, CRUCES Y MEDALLAS DE DISTINCION,

Con Estampas, Madrid Imprenta de Collado 1815

Disponível on-line em:





Obra anónima publicada em Madrid em 1815 (?), na qual se descrevem e historiam sumariamente as Ordens Militares e de Cavalaria espanholas, bem como a Cruzes e Medalhas de Distinção criadas por ocasião da chamada Guerra da Independência, com ilustrações.

Além das antigas ordens militares espanholas – Santiago da Espada, Calatrava, Alcântara e Montesa -, descreve a Ordem de S. João de Jerusalém, dita de Malta e a Ordem do Tosão.

Seguem-se as Ordens de Carlos III e de Maria Luísa, criadas no século XVIII e as ordens criadas no século XIX, quer pela Junta Suprema Central, pelo Conselho de Regência de Espanha e Índias e, pelas Cortes de Cádis, quer já pelo rei Fernando VII, após o seu regresso a Espanha em Março de 1814.

A primeira foi a Ordem Militar de São Fernando, criada em Agosto de 1811, pelas Cortes de Cádis para recompensar destacados serviços militares prestados pelas tropas aliadas e espanholas durante as campanhas da Guerra da Independência, reformada por Fernando VII em Janeiro de 1815, e que tinha 5 graus ou classes. Seguiram-se as Ordens de S. Hermenegildo (1814), e a de Isabel, a Católica (1815), destinada inicialmente a recompensar os que se distinguiram na defesa e conservação das Índias.

Foi, porém, no âmbito das Cruzes e Medalhas de Distinção criadas de 1808-1817, que a Espanha se mostrou prolífera e original. Com efeito, neste período foram criadas 46 condecorações para premiar a participação com distinção e bravura em batalhas, acções e combates durante a Guerra da Independência que eram simultaneamente medalhas comemorativas. Isto é, em vez de se criarem duas ou três condecorações com inclusão de passadeiras indicando as acções, combates ou batalhas, em que o agraciado participou, como aconteceu em Portugal, a Espanha optou por criar várias medalhas, individualizando as acções.

A primeira, segundo a obra que seguimos, – Medalha de Distinção de Bailén – foi criada em 11 de Agosto de 1808 pela Junta Suprema de Sevilha, tendo posteriormente, a Junta Suprema Central e o Conselho de Regência de Espanha e Índias, criado, respectivamente, a Cruz de Distinção do Norte (Março de 1809) e, as Cruzes de Distinção de Gerona (Set. de 1810) e de Talavera de la Reyna (Dez. 1810).

Após o seu regresso a Espanha, Fernando VII começa por criar a Cruz de Distinção e Lealdade em Valençay, para os que o tinham seguido e acompanhado durante a sua reclusão, em França, seguindo-se várias Cruze e Medalhas de Distinção, premiando e comemorando várias acções e combates durante a guerra contra os Franceses, a última das quais foi criada em 13 de Março de 1817 – a Cruz de Distinção de Vilafranca do Vierzo.

Para além destas, Fernando VII criou ainda duas Medalhas de Distinção para Prisioneiros Militares e Civis, a Cruz de Distinção dos Correios de Gabinete, o Bracelete (Laço) de Distinção da Junta Patriótica de Senhoras, e a Cruz de Distinção das Vítimas do «2 de Maio».

Com particular relação com Portugal, citaremos a Cruz de Distinção da Fuga de Portugal concedida ao Regimento de Múrcia, aquartelado em Setúbal, e demais tropas que se encontravam em Portugal e que regressaram a Espanha após a Revolução, para combater os Franceses (ver artigo do Académico D. Antonio Prieto Barrio, Recompensas Militares en la Guerra de la Independencia en Extremadura).

Por este trabalho, depreende-se que a listagem da obra em apreço está incompleta (ver também, insígnias em http://www.1808-1814.org/frames/framcond.html.