quarta-feira, 20 de junho de 2012

Armas da Família Linhares com Insígnia

Revisto em 26 de Junho de 2012

Vários membros da Família Sousa Coutinho, mais tarde Condes de Linhares e com um ramo a quem foram conferidos os títulos de Conde e Marquês de Funchal, foram agraciados com comendas da Ordem de Cristo e outras condecorações.

Esta Família teve início com D. Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho - neto 10º conde de Redondo e do Desembargador Doutor Roque Monteiro Paim, secretário de Estado e grande valido d’el-Rei D. Pedro II -, Sargento-Mor do Regimento de Dragões de Chaves, Governador-Geral e Capitão-General do Reino de Angola e Embaixador em Madrid e, Comendador da Ordem de Cristo, e de sua mulher D. Ana Luísa da Silva Teixeira Andrade. Era irmão de D. Vicente Roque de Sousa Coutinho de Menezes Monteiro Paim, Enviado e Ministro Plenipotenciário em Turim e Embaixador em Paris e, cunhado do Morgado de Mateus D. Luís António de Sousa Botelho Mourão, (1722 - 1798), ambos comendadores da Ordem de Cristo.


O 1º Conde de Linhares e sua mulher D. Gabriella Azinari di San Marzano
Óleo sobre tela de António Domingos Sequeira. Col. Partiular
Seu filho primogénito D. Rodrigo Domingos de Sousa Coutinho, (1745 – 1812), 1º conde de Linhares (Decreto de 17 de Dezembro de 1808), exerceu importantes cargos como diplomata, Ministro Plenipotenciário e Enviado Extraordinário em Turim (1778-95), tendo depois sido chamado a Lisbao e nomeado Ministro e Secretário de Estado da Marinha e dos Negócios Ultramarinos (1795-1802), Secretário de Estado dos Negócios da Fazenda e Presidente do Real Erário (1801), e Secretário de Estado interino dos Negócios Estrangeiros e da Guerra, em 1801, Inspector da Impressão Régia (1803) e Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra, no Rio de Janeiro. Foi comendador da Ordem de Cristo e Grã-Cruz das Ordens de Avis e da Torre e Espada.

O secundogénito, Principal D. José António de Menezes Coutinho, Diácono da Patriarcal, atingiu notoriedade como membro do Conselho de Regência do Reino em 1808.


1º Conde e 1º Marquês do Funchal -
Miniatura em marfim, Autor desconhecifo.
Col. Particular

O filho terceiro foi D. Domingos António de Sousa Coutinho, 1º conde e marquês de Funchal, (1760 - 1833), Licenciado na antiga faculdade de Leis da Universidade de Coimbra, sócio honorário da Academia Real das Ciências de Lisboa, iniciou a sua carreira diplomática como Enviado e Ministro Plenipotenciário em Copenhaga (1788-95), e depois sucessivamente, em Turim (1796-1803), Embaixador em Londres (1803-1815) e posteriormente em Roma (1815-28). Convidado para integrar a Regência em 1819, recusou respeitosamente o cargo em carta fundamentada que dirigiu ao Príncipe-Regente e que constitui um notável documento de análise política sobre essa época conturbada. Elevado à Grandeza com o título de conde do Funchal por Carta régia de 17-12-1808, seria elevado a marquês, pela rainha D. Maria II, em 1833. Em 1811, o Príncipe-Regente Dom João concede-lhe a Grã-Cruz da Ordem de Santiago da Espada.

No final da sua missão em Londres teve ocasião de entregar as insígnias da Banda de Grã-Cruz das Três Ordens Militares ao Príncipe Regente da Grã-Bretanha, em representação do Príncipe Regente D. João, em cerimónia que teve lugar a 29 de Junho de 1815 . Na corte de St. James terá gozado de grande valimento junto do Príncipe Regente Jorge que o tratava afectuosamente por «my Souza», segundo o testemunho insuspeito de José Liberato Freire de Carvalho (1).

Com a aclamação do Infante D. Miguel suspendeu as suas funções de Embaixador junto da Santa Sé não reconhecendo o novo regime, considerando D. Miguel como Usurpador, face aos acordos anteriormente estabelecidos com D. Pedro, após a outorga da Carta Constitucional, e ratificados pelas potências.

O quarto filho foi o Almirante D. Francisco Maurício de Sousa Coutinho, Governador e Capitão-General do Grão-Pará (1790-1803), obteve a Grã-Cruz Honorário da Ordem de Torre e Espada em 1812.

Na geração seguinte, dos filhos do 1º conde Linhares, o primogénito Brigadeiro D. Victório de Sousa Coutinho, 1790-1857, 2º Conde de Linhares, Ministro em Turim (1817) e Ministro da Marinha (1835) foi além de comendador da Ordem de Cristo, comendador efectivo da Ordem da Torre e Espada em 1820.

Outro filho D. Francisco Afonso Menezes Sousa Coutinho, (02.02.1796 + Paris 14.08.1834), Oficial da Aramada Real, casou em 1824 com uma das ricas herdeiras brasileiras D. Guilhermina Adelaide Carneiro Leão, e viria a atingir notoriedade ao aderir à Independência do Brasil. Promovido a Capitão-de-Fragata da Marinha Imperial passou em seguida para o Estado-maior do Exército com a patente de Tenente-Coronel.

Foi agraciado pelo Imperador D. Pedro I com o título de visconde de Maceió, com grandeza (1824) e dois anos depois elevado a Marquês. Grande do Império, exercia o cargo de Veador na corte imperial e exerceu o cargo de Ministro da Marinha (1827) e no ano seguinte nomeado Ministro plenipotenciário e Enviado Extraordinário à Corte de Viena em 1828, tendo acompanhado a Imperatriz ao Rio de Janeiro.

Foi cavaleiro da Imperial Ordem do Cruzeiro e comendador da Imperial Ordem de Cristo e da Ordem de Isabel, a Católica, de Espanha. As fontes brasileiras dão-no também como cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, mas não temos notícia desse agraciamento.

Como era hábito e largamente praticado na época pela primeira nobreza da Corte, vários membros da mesma Família usavam armas idênticas, sem qualquer diferença.

Daí a dificuldade de identificar a quem pertenceram as armas que a seguir reproduzimos: escudo esquartelado, no I-IV – as armas do Reino (em vez do esquartelado com as armas dos Sousas Chichorro) e, no II-III – Coutinhos. Coronel de Marquês e Timbre de Coutinho.

Fig. 1

Nas duas imagens que reproduzimos, pertencentes à colecção de um ilustríssimo descendente do 1º conde de Linhares, na primeira (fig. 1), as armas são encimadas por virol, coronel de marquês e timbre de Coutinho e, a segunda (Fig. 2), num escudo mais elaborado, com paquife, elmo de prata, cerrado, guarnecido de ouro, posto de frente, com virol e encimado por coronel de marquês e, timbre de Coutinho.

Fig. 2
Face ao coronel de marquês, as armas em questão tanto poderiam ser atribuídas ao 1º Marquês de Funchal, como a seu sobrinho o Marquês de Maceió. No entanto, em ambas as armas existe um elemento importante que poderá ajudar a resolver esta dúvida. Trata-se, com efeito, da insígnia de uma ordem de cavalaria pendente do escudo, em ambos os casos.

Numa primeira análise, pensámos poder tratar-se da insígnia de Cavaleiro da Ordem do Elefante, o que faria algum sentido já que o Conde do Funchal foi Enviado e Ministrio Plenipotenciário em Copenhaga, eventualmente atribuída pelo rei Cristiano VII, após a cessação das suas funções como diplomata na corte dinamarquesa.

Porém, não existindo nas fontes dinamarquesas consultadas qualquer confirmação sobre este agraciamento, o nosso estimado amigo e confrade – Paulo Estrela, admitiu a possibilidade de estarmos perante as insígnias da Imperial Ordem do Cruzeiro, fundada pelo Imperador D. Pedro I.

Assim, e na posse de uma foto ampliada dos escudos de armas, foi possível confirmar a hipótese colocada por Paulo Estrela, isto é, a insígnia pendente parece ser a da Ordem Imperial do Cruzeiro.

Esta identificação reconduz-nos pois, ao marquês de Maceió, como sendo o provável detentor destas armas, atento o coronel de Marquês e a insígnia da Ordem Imperial do Cruzeiro, de que era cavaleiro.



Notas:
(1.) cf. José Vicente de Bragança, El-Rei D. João VI e a Ordem da Torre e Espada (1808-1826), Lisboa, Ed. do Autor, 2011.

Fontes:
Costa (Subserra), Dom Marcus de Noronha da. D. Marcos de Noronha e Brito, 8º Conde dos Arcos (Elementos para uma Biografia), Lisboa, Academia Portuguesa da História, 2011
Coutinho, D. Fernando António de Sousa (Funchal), Uma Varonia Milenária, 2ª ed., Lisboa, 1958

Estrela, Paulo Jorge. Ordens e Condecorações Portuguesas 1793-1824, Lisboa, Tribuna da História, 2008
Funchal, Marquês do. O Conde de Linhares Dom Rodrigo Domingos António de Sousa Coutinho, Lisboa, 1908
Lima, Manuel de Oliveira. D. João VI no Brasil, 3ª ed., Rio de Janeiro, 1996
Barata, Carlos Eduardo & Bueno, A.H. Cunha. Dicionário das Famílias Brasileiras, II Tomos, Rio de Janeiro, Ed. Árvores da Terra, [1999-2001]



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