segunda-feira, 15 de maio de 2017

General Luís do Rego (1777-1840)



General Luís do Rego Barreto (Viana do Castelo28 de outubro de 1777 — 7 de setembro de 1840), 1.º visconde de Geraz do Lima 


Era Tenente de Infantaria no Regimento de Infantaria nº 9, aquando da I Invasão Francesa e após a dissolução do Exército pelo Marechal Junot, não querendo servir o invasor retirou-se para sua cas no Minho. O seu espírito patriótico levou-o a ser o primeiro a encabeçar a sublevação popular contra as tropas de ocupação francesas, em Viana do Castelo, em 19 de Junho de 1808, à semelhança do ocorrido no Porto, Bragança e Vila Real e, a seguir noutras cidades do Norte e do Centro e no Algarve. Às sublevações seguiu-se a criação de Juntas Provisionais de Governo e à aclamação do Príncipe-Regente Dom João.
Em 1808-1809 organizou o Batalhão de Caçadores nº 4, em Viseu, que fardou à sua custa e comandou até ao assalto a Ciudad Rodrigo (19 de Janeiro de 1812), tendo participado, entre outras acções, na batalha do Buçaco. Em Janeiro de 1812 assume o comando do Regimento de Infantaria nº 15, reorganizado em Vila Viçosa, que se distinguiu nas batalhas de Badajoz, de Salamanca (1812), Vitória, San Sebastian e Nive (em 1813). No assalto a Badajoz em 6 de Abril de 1812, o RI 15 foi a primeira força e entrar na cidade sob o comando do Coronel Luís do Rego Barreto, a quem o marechal Beresford chamou «o Bravo» e no assalto a San Sebastian cobriu-se de glória, apeando-se do cavalo, pegando na bandeira do Regimento e incitando os seus soldados a irromperam, sob fogo intenso, pela brecha nas defesas.
Em 1817 encontrava-se no Brasil onde comandou a Divisão que dirigindo-se a Pernambuco sufocou a rebelião republicana que aí tinha rebentado sendo nomeado Governador e Capitão-General de 1 de julho de 1817 a 5 de outubro de 1821. Em 1822, já General e de regresso ao reino foi nomeado Governador das Armas do Minho e no ano seguinte derrota, em Amarante, o General Silveira que havia liderado um levantamento absolutista.
«Com a Vilafrancada, que reinstitui o regime absolutista em Portugal, foi destituído e deportado para a Figueira da Foz, tendo sido reformado no ano seguinte. Reintegrado no exército durante a regência da infanta D. Isabel Maria, foi promovido a tenente-general em 1827. Preso durante o reinado de D. Miguel, conseguiu evadir-se para Espanha, regressando após a convenção de Évora-Monte. Nomeado vogal do Supremo Conselho de Justiça Militar em 1834, foi nomeado novamente governador das armas do Minho durante o Setembrismo, que o nomeou senador por Viana do Castelo, durante a curta vigência da Constituição de 1838»[1].

O título de Visconde de Geraz de Lima foi-lhe concedido em 30 de Maio de 1835, no governo presidido pelo Marechal Saldanha.

Teve as seguintes condecorações:

Comendador da Ordem da Torre e Espada (1812)[2]

Comendador da Ordem Militar de Cristo[3]

Cruz de Condecoração da Guerra Peninsular, de Ouro, 6 campanhas (1820)[4]

Medalha de Comando da G.P. ‘7 acções’ (1820)[5]
[Buçaco / Badajoz / Salamanca / Vitória / S. Sebastian / Nivelle / Nive]

Army Gold Cross ‘7’[6]
[Buçaco / Ciudad Rodrigo / Badajoz / Salamanca / Vitória / S. Sebastian / Nive]

Segundo o Coronel Ferreira de Lima (apud Paulo Estrela, 2009) este distinto oficial teria recebido uma raríssima distinção em 1808 – Medalha Individual de Gratidão – concedida pela Junta Provisional de Viana do Castelo, em nome do Príncipe-Regente D. João, pelos importantes serviços que havia feito no dia 19 de Junho, e que viria a ser confirmada pela Junta Provisional do Governo Supremo do Reino em 7 de Julho de 1808.

Para Paulo Estrela, que se debruçou sobre este retrato, então na posse de José Maria Almarjão, descendente do General, pelas condecorações ostentadas o referido retrato deve ser anterior a 1820, já que não representa nenhuma das suas condecorações oficiais portuguesas da Guerra Peninsular[7]

E, ainda na esteira de Ferreira Lima, Paulo Estrela defende que a Cruz de ouro pendente do pescoço por uma corrente de igual metal deve representar a citada medalha de gratidão.

Assim, na pintura e para além desta, o General Rego Barreto ostenta a insígnia de pescoço e a placa da Ordem da Torre e Espada, a placa de Comendador da Ordem Militar de Cristo e uma pequena insígnia atípica da mesma ordem, e a prestigiada Army Gold Cross ‘7 acções’ – cruz e três passadeiras, concedida pelo Rei Jorge IV, do Reino Unido.

Bibliografia:
Elogio historico de Luiz do Rego Barreto, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1822
Flavio José Gomes Cabral. “Vozes públicas”: as ruas e os embates políticos em Pernambuco na crise do antigo regime português (1820-1821), in «Saeculum» - Revista de História (13); Universidade Estadual de Paraíba, João Pessoa, Jul. Dez. 2005, pp. 63-77.
Henrique de Campos Ferreira Lima. Medalhas individuais de gratidão portuguesas, Famalicão, Minerva, 1939
Luís do Rêgo Barreto. Memória justificativa sobre a conducta do Marechal de Campo Luiz do Rego Barreto, durante o tempo em que foi governador de Pernambuco e presidente da Junta Constitucional do governo da mesma província, Lisboa, Typ. Marques Leão, 1822
Paulo Jorge Estrela. Ordens e condecorações portuguesas 1793-1824, Lisboa, Tribuna da História, 2009



[2] Cf. Paulo Estrela. Ordens e condecorações portuguesas 1793-1824, Lisboa, Tribuna da História, 2009.
[3] Em 31.10.1815 foi-lhe concedida uma promessa de comenda e em 17.12.1815 uma tença de seiscentos mil reis no Cofre das Comendas vagas (Gazeta de Lisboa, nº 98, 25.4.1816). A mercê viria a concretizar-se em 2.09.1819 com a com o Alvará da Comenda de S. Salvador de Unhão, da Ordem Militar de Cristo (ANTT - Registo Geral de Mercês, D. João VI, liv.13, fl.358).
[4] Cf. Paulo Estrela, ibidem.
[5] Idem.
[6] Idem.
[7] Idem.